(6)

Sentido oportuno, razões constantemente perturbadoras, sem argumentos, com um aflito na alma, depenado e a empobrecer. Sentido faz o que nunca vimos, infelicidade é o nosso medo, oportunidade é o que desperdiçamos. Não calculo pois nunca fui certo nos resultados, sou a acusação, sou o culpado, pois irei ao registo civil e mudarei de nome, apagarei-me e construirei-me outra vez. É lamentável, como uma pessoa se queixa, se desabafa, mas é orgulho ter um ombro que nos apoia, um ouvido que nos ouve, e uma boca para dizer uma palavra que seja. Ontem, era uma criança, hoje, sou um protótipo de um homem, amanhã, serei o que sonhei, um Homem, homem esse de "H" grande, com dignidade, empenho, avante, coragem, determinação, poder, realizado. Ando em busca da felicidade...

(5)

Para quê fugir, para quê me refugiar dos meus próprios problemas ? Sendo assim, pergunto-me o que cá vim fazer, o que cá vim encontrar, o que cá sonhei ser.
Não vale apena viver numa ilusão, não vale apenas ter nascido para no fundo ser um escravo. De corpo e alma, escrevo, mesmo sabendo os maiores defeitos que tenha, mesmo sabendo as maiores virtudes que tenha, que por muito que faça, não vale de nada. Porque é a mim que me apontam, porque é a mim que dirigem um dedo, mas nunca se lembram que têm quatro apontados para eles.
Um ser humano é a coisa mais complicada de perceber, é, sem dúvida a coisa mais imperfeita sob a Terra...
Um pouco de demagogia temos todos dentro de nos, pedagogia é o que andamos a aprender. Vivo este momento como se fosse o último, como se fosse uma despedida sem saber quem já foi. É dificil compreender-me, eu próprio sei disso!

(4)

Sinto que fiz de tudo, sem retorno.
Sinto que o tempo, desliza sobre tudo, desliza sobre mim, desliga-me do universo.
Desliguei-me de tudo, no obscuro com um rosto sujo e contornado por lágrimas, com alguns cêntimos nas minhas calças rotas, como uma maça, abrigando-me do seu fruto, do seu sabor.
Questiono-me enumeras vezes, quem sou eu? De onde vim? Que é que estou cá a fazer? Mais valia por vezes estar onde estava, nunca ter vindo cá para fora. Vivo numa miséria constante, vivo num degredo sem ordenado, sustentado por esmolas oferecidas por aqueles que são humildes, e pensam que um dia puderam chegar ao que cheguei e precisaram de ajuda nesse momento.
É tudo muito relativo, limitado.
Fermez les yeux et imaginez-vous dans cette situation, il survivre?


(3)


Somos apenas cidadãos que nos perguntamos a nos próprios se somos livres e vivemos para parar numa prisão. Razões, motivos, argumentos, acusações, falcatruas, exemplerares, tudo isto é lixo, tudo isto leva a um pais cheio de drogas, de vacinas que te deixam constantemente doudo e que te faz gregar. É a isto que chamam civilização? Levar com um fumo incômodo, monóximo de carbono que se infiltra nos nossos pulmões...

(2)

Conjugo uma elipse, substituiu por uma pronominalização, recolho todos os factores, e meto os mais importantes em evidência. Rancor perturbador é um factor inovador onde todos olham de lado, onde a decadência abre a porta, e o auxilio se vai.
Projectado para tras, derrubando barreiras, indefeso, encorajo-me em levantar.
Derrame na cabeça e um inchaço enorme na alma, sofro imenso que nem dá vontade de o relatar. É monstruoso o peso na consciência, é constante a indiferença proposta perante a cidadania. Sem represálias e solitário, caiu numa cobrança destinada. Uma morte que só recebe uma vez e não dá documento.
... Realmente, vontade de viver não falta, vontade de ajudar existe, não nasci para ficar trancado entre paredes de cimento e betão.

(1)

Só eu sei o que vai nesta cabeça, não compreendo como tenho chegado até aqui, não compreendo como tenho fugido a tudo, não compreendo nada, só preciso de ajuda! Não conseguirei por muito mais tempo aguentar assim, é uma explosão enorme na minha cabeça, são enumeros os assuntos que cá dentro vão.
Hoje acabei no hospital.
Nu, com um desgaste físico, uma perturbação mental, encontro ao meu lado no meio do brio um antidepressivo. Hoje, saí de casa novamente, realçando a escuridão e o desejo. Agressivo e invicto luto contra uma doença, onde deixa marcas, mágoas, sentimentos perturbadores.
21:22, fechado novamente no quarto, algo tímido, conservador, desabafo os meus erros, os meus pensamentos numa depressão profunda.