Sinto que o tempo, desliza sobre tudo, desliza sobre mim, desliga-me do universo.
Desliguei-me de tudo, no obscuro com um rosto sujo e contornado por lágrimas, com alguns cêntimos nas minhas calças rotas, como uma maça, abrigando-me do seu fruto, do seu sabor.
Questiono-me enumeras vezes, quem sou eu? De onde vim? Que é que estou cá a fazer? Mais valia por vezes estar onde estava, nunca ter vindo cá para fora. Vivo numa miséria constante, vivo num degredo sem ordenado, sustentado por esmolas oferecidas por aqueles que são humildes, e pensam que um dia puderam chegar ao que cheguei e precisaram de ajuda nesse momento.
É tudo muito relativo, limitado.
Fermez les yeux et imaginez-vous dans cette situation, il survivre?